Os Mitos e Crenças na Saúde – Vamos Desvendar Alguns

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Na verdade, o artigo foi escrito por   Carla Mateus, com entrevista a José Agostinho Santos e Rui Cernadas, médicos de medicina geral e familiar, no que toca a desfazer alguns mitos que existem e ralçar outros que pensamos, eventualmente, serem mitos.

Captura de Ecrã (80)

Do que vamos falar?

– Deve-se beber cerca de oito copos de água por dia?
– Andar ao frio com a cabeça molhada provoca constipações?
– Ler em andamento provoca descolamento de retina?
– Beber leite morno ajuda a adormecer?
– Comer muitos doces provoca diabetes?
– O álcool
– Estalar os dedos provoca artrite?
– Tomar banho após comer faz mal?
– O café melhora a ressaca?
– É fácil perceber que estamos a ter um ataque cardíaco
-Vitamina C previne gripes e constipações?
-Bactérias no corpo é sinal de doença?
– Comer banana evita cãibras?

Vamos começar? Foi retirado do site do MSN Portugal, e podem consultar o artigo aqui

A vitamina C previne gripes e constipações, comer muitos doces causa diabetes e tomar banho após comer faz mal. Estas são algumas das crenças que são transmitidas de geração em geração. Mas será que têm algum fundamento científico ou não passam de simples mitos? Descubra a seguir.

Sempre que nos queixamos sobre a nossa saúde, seja no escritório, com a família ou com o grupo de amigos, há sempre alguém com um conselho milagroso que garante resolver o problema. Poucas pessoas sabem como eles surgem ou de onde eles vêm. Alguns são ensinados dentro de casa, muitas vezes pelas nossas mães e avós; outros são transmitidos pela Internet, pela televisão e outros meios de comunicação.

O facto é que estas ideias feitas são passadas de geração em geração e acabam por se tornar verdades inabaláveis. No entanto, na maioria das vezes, estas crenças não têm qualquer fundamento científico. São apenas uma mistura de meias verdades com sabedoria popular.

E se existem crenças que, embora falsas, são inofensivas e até protegem dos excessos, há outras que representam um risco para a saúde. Conscientes de que esses conceitos representam uma séria ameaça para a saúde pública, dois pediatras e investigadores da Universidade do Indiana, Aaron Carroll e Rachel C. Vree­man, publicaram, ao longo da última década, uma série de artigos na revista British Medical Journal destinados a deitar por terra alguns mitos urbanos em que até os próprios médicos acreditam.

Diz a sabedoria popular que “cuidados e caldos de galinha, nunca fizeram mal a ninguém”, mas nem sempre o povo tem razão. E nem sempre devemos acreditar naquilo que ouvimos. Para Rui Cernadas, especialista de medicina geral e familiar, o que “importa é ter conhecimento claro e deixar as ideias bem precisas, desmistificando o que for necessário e formando uma literacia adequada à promoção da saúde”. Por isso, com a sua ajuda e com a de José Agostinho Santos, também médico de medicina geral e familiar, aliada à informação científica existente, o MSN Saúde procurou desmistificar alguns dos mitos e meias verdades sobre saúde que sobreviveram à passagem do tempo.  

Deve-se beber cerca de oito copos de água por dia

Ao que parece temos andado enganados. Segundo José Agostinho Santos, “uma boa hidratação oral é necessária ao organismo, porém, o limiar da boa hidratação é variável de acordo com cada pessoa. O conceito dos ‘oito copos’ não tem qualquer fundamento científico válido, pelo que não se corre qualquer risco se não se ingerir os tais oito copos diários de água”. 

Suspeita-se que esta popular recomendação possa ter surgido em 1945, quando o Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos da América (E.U.A.) recomendou que adultos deveriam consumir 1 mililitro de água para cada caloria de alimento consumido, o que se aproxima de 2,5 litros por dia para homens e 2 litros para mulheres. 

No entanto, hoje sabe-se que “beber água de acordo com a sede sentida (seja quatro, seis, oito ou dez copos) fará muito mais sentido. Felizmente, o organismo humano produz uma sensação facilmente notada (que é a sede) que impele a ingestão de água quando necessário”, afirma José Agostinho Santos.-

Andar ao frio com a cabeça molhada provoca constipações

Quem não se lembra de ouvir a mãe ou a avó dizer que podíamos apanhar uma constipação se andássemos ao frio com a cabeça molhada? Provavelmente todos passámos por esse momento… mais do que uma vez! Então, e se lhe dissermos que esta ideia não passa de um simples mito? Não, não o estamos a enganar. As investigações existentes mostram que sentir frio ou sair à rua com o cabelo molhado não aumenta as possibilidades de apanhar uma constipação. Esta é causada por vírus, sendo o rinovírus o mais frequente, e transmite-se através do contacto próximo entre pessoas infetadas, nomeadamente, quando se fala, tosse ou espirra.

Ler em andamento provoca descolamento de retina

Este é um mito de longa data. A leitura enquanto se anda de carro ou transportes públicos pode causar cansaço ou fadiga visual, mas não provoca risco de deslocamento da retina ou de doenças oculares. O mais comum, se a viagem for turbulenta, é que fique mal disposto. “O que se passa na deslocação para quem lê, é uma necessidade constante ou mais elevada de reajustamentos do ponto de focagem, com o consequente aumento de movimentos oculares de compensação. Mais nada!”, assegura Rui Cernadas. Ou seja, os nossos olhos têm de fazer um esforço adicional para conseguir ler.

O especialista em medicina geral e familiar lembra que o deslocamento da retina é um problema realmente grave e que “a sua origem pode relacionar-se com traumatismos diretos do globo ocular, esforços físicos menos vulgares ou até, fatores genéticos”.

Beber leite morno ajuda a adormecer

Neste caso, é mesmo verdade. Beber um copo de leite quente antes de dormir ajuda a uma boa noite de sono. Não é por acaso que esta é uma das regras básicas da higiene do sono recomendadas pelos especialistas. Além do conforto físico que o alimento transmite, a sensação de bem-estar também ajuda a descontrair. Mas não só. O leite contém um aminoácido, o triptofano, que atua no mecanismo regulador do sono.

E por que o leite deve ser morno? A resposta é bastante simples. Ao serem aquecidos, os aminoácidos são mais facilmente assimilados e absorvidos pelo organismo. Contudo, há quem diga que o triptofano não existe em quantidade suficiente no leite para produzir uma ação direta sobre o sono, pelo que o seu efeito não se faz sentir em todas as pessoas. Mas uma coisa é certa: um copo de leite morno antes de dormir ajuda seguramente a relaxar e a desacelerar o ritmo antes de se deitar

O álcool

Quando estamos a tomar antibióticos não se deve beber álcool. Este é um facto. No entanto, na maior parte dos casos, o álcool não interfere diretamente na eficácia destes medicamentos, especialmente se estiver a tratar uma infeção aguda que tem uma terapêutica curta e finita no tempo. O que acontece é que a ingestão de bebidas alcoólicas faz com que os antibióticos demorem mais tempo a atuar.

No entanto, existem alguns medicamentos que, quando associados à ingestão de álcool podem causar efeitos desagradáveis, como dores de estômago, cefaleias, náuseas e vómitos, e até palpitações.

Assim, se beber um copo quando está a tomar antibiótico, não haverá problema, mas se for beber muito, a situação muda de figura. Nesse caso, a abstinência é obrigatória.

Comer muitos doces provoca diabetes

Podemos dizer que estamos perante uma meia verdade. A ingestão excessiva de produtos calóricos, como os doces, provoca um maior risco de aumento de peso e/ou obesidade. E como nos explica José Agostinho Santos, “o excesso de peso/obesidade constitui um fator de risco para desenvolver diabetes mellitus tipo 2 (doença caracterizada por níveis elevados de glicose na circulação sanguínea)”. O especialista realça ainda que a associação entre obesidade e diabetes “envolve um mecanismo complexo em que o corpo obeso se torna gradualmente resistente à ação da insulina (produzida em quantidades crescentes pelo pâncreas) na degradação e utilização do acúçar circulante (glicose). Se o organismo é mais resistente à sua própria insulina, o sangue passa a ter níveis mais elevados de glicose até a um ponto compatível com diagnóstico de diabetes mellitus”. Mas não se preocupe, ninguém fica com diabetes só porque come chocolate.

Estalar os dedos provoca artrite

Quem nunca estalou os dedos? De facto, este é um hábito muito criticado – e sim, há que concordar que o barulho irrita –, mas, ao contrário do que se costuma dizer, estalar os dedos não causa artrite.

Por norma, as articulações estão rodeadas de um lubrificante chamado líquido sinovial e encontram-se dentro de uma cápsula articular. Rui Cernadas diz-nos que fazer estalar os dedos ou “outras articulações como os joelhos, punhos ou tornozelos, traduz apenas a capacidade de manipular e alongar a tal cápsula articular, provocando um diferencial de pressão que se torna audível”. O que acontece é que quando as articulações se estendem, a pressão desce e há gases, como dióxido de carbono, que se libertam do líquido e formam uma bolha. Com o estalar dos dedos, essa bolha rebenta e é isso que provoca o som. “A artrite, enquanto processo inflamatório da articulação, ou a artrose, enquanto processo fisiológico de envelhecimento da mesma, não decorre deste hábito. Mas, sejamos francos, também não se lhe reconhecem vantagens”, constata o médico.

Tomar banho após comer faz mal

Quem é que nunca ouviu dos pais este alerta? Pior, quem não se lembra de ter de esperar três horas, sob o sol intenso da praia, para poder ir à água dar um mergulho? Tudo por causa do medo da congestão e afogamento. Então, prepare-se: esta crença é falsa! Ao que tudo indica não há uma associação entre estar a fazer a digestão e o risco aumentado destes problemas.

As explicações teóricas por detrás desta recomendação incluem o possível aparecimento, durante a digestão, de contraturas musculares (as chamadas cãibras) que impediriam que pudéssemos nadar eficazmente, daí o perigo de afogamento. O medo da congestão deve-se ao facto de, durante a digestão dos alimentos, o nosso estômago necessitar de uma maior quantidade de sangue para executar esse processo, concentrando-o um pouco mais naquele órgão e, consequentemente, diminuindo a sua circulação no resto do corpo. Assim sendo, se entrarmos na piscina ou no mar gelado e nadarmos com uma intensidade elevada, o nosso organismo precisa de regular a temperatura corporal e enviar parte do sangue para os músculos, para que sejam capazes de realizar as suas funções, o que prejudica o processo de digestão. O problema não é o banho em si, mas a temperatura da água e a intensidade com que vai nadar. Se se tratar apenas de um banho refrescante, não há problema algum.

O café melhora a ressaca

Por ser um estimulante, o café é muitas vezes usado para melhorar os sintomas da bebedeira e da ressaca, mas este ato é incorreto. Além de não ajudar a atenuar a ressaca, o café pode mesmo piorá-la, uma vez que a cafeína é um diurético e pode aumentar a desidratação, que é uma das causas do mal estar.

José Agostinho Santos diz-nos que este mito “terá surgido provavelmente do facto de se saber que a cafeína é um excitante do sistema nervoso central (que incluí o cérebro) e que o álcool é um depressor desse sistema com repercussões prolongadas até ao dia após a sua ingestão excessiva. Pensar que a cafeína como excitante compensaria o efeito depressor do álcool constitui um julgamento aparentemente lógico, porém, apesar de terem efeitos antagónicos, essa compensação não está cientificamente provada”.

É fácil perceber que estamos a ter um ataque cardíaco

Ao contrário do que se vê nos filmes, um ataque cardíaco não se manifesta apenas a partir de uma dor forte no braço esquerdo ou sobre o peito. Rui Cernadas indica que “a dor mais habitual localiza-se no peito, sob a sensação de aperto violento ou peso acentuado, podendo ou não irradiar para o ombro e braço esquerdo ou para a região do pescoço e queixo”.

No entanto, muitas pessoas que sofreram ataques cardíacos nunca sentiram nenhum sintoma – ou pelo menos nunca identificaram o que sentiam como sintoma. Isso acontece, em parte, porque o ataque cardíaco pode surgir de várias formas, nomeadamente através de um mal-estar que vai e volta, o que leva as pessoas a pensar noutro tipo de indisposição, como problemas de estômago.

A razão pela qual a dor ou o desconforto podem ser tão imprevisíveis deve-se ao facto do coração, em si mesmo, não sentir dor por não possuir fibras de dor específicas. “Ligar para o 112 é a medida mais importante e urgente em caso de dor torácica ou suspeita de ataque cardíaco!”, remata o especialista.

Vitamina C previne gripes e constipações

Esta é uma ideia disseminada há muitos anos. Contudo, não há evidências que comprovem a eficácia da vitamina C contra gripes e constipações. Como José Agostinho Santos revela, “já foram desenvolvidos estudos científicos que tentaram comprovar o suposto benefício da vitamina C na prevenção de infeções respiratórias. No entanto, os estudos trouxeram resultados desanimadores para a população geral: não há benefício documentado da vitamina C nesse campo preventivo. Alguns estudos mostraram algum benefício para grupos pequenos de pessoas submetidas a exercício físico intenso (maratonistas ou praticantes de ski). Mais estudos de boa qualidade serão talvez necessários”.

Bactérias no corpo é sinal de doença

Apesar de terem uma má reputação, as bactérias são uma parte essencial da nossa vida. Por isso, se acha que a crença acima apresentada é verdadeira, está enganado. As bactérias não são sinal de doença porque “todos os organismos humanos têm necessidade e têm a presença de microrganismos e bactérias com funções favoráveis. É o que se chama de flora natural e de equilíbrio ou simbiose entre hospedeiro e bactérias comensais”, esclarece Rui Cernadas.

Mas atenção, mesmo as bactérias benéficas para o ser humano podem multiplicar-se exponencialmente e desenvolver infeções com graus de gravidade diversa. E “os vírus, os temidos agentes infeciosos da era moderna, como os das gripes, nada têm a ver com as bactérias”, salienta o especialista em medicina geral e familiar.

Comer banana evita cãibras

Muitos acreditam que a banana evita as cãibras por ser rica em potássio. Mas esta ideia não passa de mais um mito. Embora a origem das cãibras ainda não esteja bem esclarecida, pensa-se que estará ligada a diferentes fatores, sendo um deles o desiquilibrio de iões no organismo. “Ora, a banana é um produto alimentar rico em potássio, pelo que se poderia julgar que o aumento dos níveis de potássio poderia reestabelecer esse equilibrio iónico. No entanto, o potássio não é o ião mais frequentemente envolvido nesse desiquilíbrio, mas sim o magnésio ou o cálcio. De facto, não há estudos que tenham documentado que a ingestão de banana evita ou reduz os episódios de cãibras”, conclui José Agostinho Santos.

 

Ficaram esclarecidos? Pois bem, eu fiquei e agradeço este artigo e dou os parabéns por ele! Todo o mérito para a autora!

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